Parcerias para o Desenvolvimento Solidário
Ruth Cardoso é tema de seminário nos EUA
A antropóloga Ruth Cardoso foi uma das primeiras pesquisadoras no Brasil a perceber a emergência dos movimentos sociais, como o feminismo, as reações étnico-raciais e de orientação sexual. Até a década de 70, a academia considerava que esses movimentos não tinham status para merecer a atenção da universidade, mas Ruth já os chamava de "novos movimentos sociais", conta a antropóloga Jacira Melo, sua aluna na USP nos anos 70. Ainda na fase de transição para a montagem do governo FHC, no primeiro mandato, ela criou o programa Comunidade Solidária, que construiu mecanismos de auxílio para populações pobres, ao mesmo tempo em que gerava emprego e renda.
Brasília (9 de abril)- A obra acadêmica e política da antropóloga Ruth Cardoso, falecida em 2008, é tema de um seminário na Universidade Columbia, em Nova York, nos Estados Unidos, hoje e amanhã.
A homenagem reune cientistas sociais, muitos deles ex-alunos da antropóloga, políticos e representantes da sociedade civil que colaboraram com o trabalho da primeira-dama durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, de 1995 a2002.
Um dos idealizadores do encontro, o diretor do Centro de Estudos Brasileiros da universidade, Thomas Trebat, diz que o objetivo do seminário "não é fazer um elogio de Ruth Cardoso, mas uma análise acadêmica da sua vida e da sua obra".
Entre os participantes do seminário estão o ex-presidente FHC, o governador de São Paulo, José Serra, o economista e professor de Columbia Albert Fishlow, e a antropóloga, professora da Universidade de Chicago, Manuela Carneiro da Cunha.
O seminário tem a coordenação da professora da USP Lilia Moritz-Schwarcz. As professoras de antropologia da Unicamp Guita Debert e Maria Filomena Gregori, ex-orientandas de Ruth Cardoso, também participam do evento.
História
Ruth Cardoso imprimiu a marca da inovação em sua carreira acadêmica. Em meados da década de 50, quando o tema ainda era muito distante, ela estudou a imigração japonesa em São Paulo, e a transformou em tese universitária. Depois do golpe militar de 1964, enfrentou o exílio ao lado do marido Fernando Henrique Cardoso.
No Chile, enquanto FHC trabalhava na Comissão Econômica para a América Latina (Cepal), ela foi professora da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), que recebia alunos de muitos países. Depois, o casal para a França e, de volta ao Brasil, fundaram o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), que marcaria a pesquisa social no Brasil. No início dos anos 80, Ruth se aprofundou na vida acadêmica. No Cebrap, ela montou uma primeira equipe para pesquisar a ação das organizações não-governamentais, uma novidade no Brasil.
Assessoria Internaticional
Ruth Corrêa Leite Cardoso nasceu em Araraquara em 19 de setembro de 1930. Ela e Fernando Henrique se conheceram na USP e casaram em 1953. Era doutora pela USP e pós-doutora pela Universidade de Columbia, nos EUA. Presidiu o conselho assessor do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) sobre Mulher e Desenvolvimento e integrou a junta diretiva da Comissão da OIT (Organização Internacional do Trabalho) sobre as Dimensões Sociais da Globalização.
Também foi professora da Universidade de São Paulo (USP), assim como FHC. Deu aulas em universidades no exterior como a Maison des Sciences de L´Homme (Paris), a Universidade de Berkeley (Califórnia) e Universidade de Columbia (Nova York).